A CORAGEM DE NÃO AGRADAR

O incrível livro “A Coragem de Não Agradar”, dos autores Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, traz uma conversa profunda entre um jovem e um filósofo para apresentar de um jeito simples as ideias de Alfred Adler, um dos expoentes da Psicologia, com uma perspectiva super otimista sobre a felicidade.

Adler acredita que a filosofia pode ajudar você a se libertar das expectativas alheias, das dúvidas que paralisam e das próprias limitações para se tornar a pessoa que deseja ser.

Apesar de adorar essa visão positiva, minha ressalva inicial para este livro é que a abordagem é mais factível para alguém que já é naturalmente otimista. Em quadros onde a pessoa está vivendo um momento difícil, ou que experiências de vida gerem emoções ainda complicadas para lidar, os conceitos de Adler não são tão simples de serem aplicados.

O primeiro conceito que o livro aborda é o da separação de tarefas. Imagine-se diante de um comentário negativo sobre você e se pergunte: “isso é comigo ou com o outro?”. Para Adler, não se pode mudar a forma como as pessoas reagem às suas atitudes, mas você pode mudar o jeito como lida com a situação. Se a raiva não está em você, é sua escolha ignorá-la ou acolher esse momento por um ponto de vista otimista de aprendizado.

Outra lição importante do livro é sobre a importância de todos os seres humanos. O filósofo afirma que somos todos iguais e diferentes. Isso significa que todas as profissões são importantes, e embora distintas, estão unidas em um todo para contribuir com a comunidade. Por isso, dentro de quem você é e faz atualmente, a segunda pergunta proposta é: “o que eu faço traz valor a minha comunidade?”

Perceba que o livro traz o senso de individualidade, que é de não se deixar abater pelo que o outro sente, mas ao mesmo tempo nos situa dentro do coletivo. Mas veja bem, agregar valor à comunidade não é o mesmo que viver uma existência baseada em atender as expectativas dos outros. Para Adler, a busca por reconhecimento pode até levar a bons caminhos, mas também é uma forma de viver com privação de liberdade, porque fazer o outro feliz não é nossa tarefa, já que não podemos controlar o sentimento alheio.

É uma tarefa difícil, especialmente para nós que estamos sempre conectados nas redes sociais, evitar olhar o verde da grama do vizinho, mas o livro nos incentiva a não se comparar nem competir com ninguém. Em vez de buscar competição, Adler incentiva a busca pela evolução de si mesmo. Se você muda, o mundo muda. Se você se posiciona, as pessoas se reposicionam a partir dessa maneira de ser.

Para reforçar essa atitude de evitar a comparação, Adler diz que a vida não é uma linha, e sim uma dança. Um conjunto de uma série de momentos chamados “agora”, em que o que vale é o processo, não a chegada. Isso nos traz para o presente e reforça que, além de não precisar se preocupar tanto com o futuro, o passado também não nos define. Para o filósofo, usar algo que lhe aconteceu como justificativa para hoje é uma questão de escolha. Novamente, lembro que gosto dessa perspectiva otimista de transformar limão em limonada, mas como disse na ressalva inicial, entendo que essa relação com o passado não é tão simples assim, depende da história e da forma como cada um lida com experiências que viveu.

Seja quais forem os sentimentos que o passado, o presente e o futuro te trouxerem, fecho esse resumo com uma lição muito possibilitadora do livro, de que sentimentos como raiva, insegurança, arrogância e complexo de inferioridade não precisam ser meramente reprimidos, você pode entendê-los e utilizá-los como ferramentas para seu próprio aprendizado e evolução.

Deixo aqui o convite para ler esse livro incrível e de leitura fácil, que faz a gente pensar e repensar em muita coisa das nossas vidas.

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