O livro “Como Criar uma Mente”, de Ray Kurzweil, relaciona Inteligência Artificial com segredos do pensamento humano, e nos deixa cheios de ideias e instigados a pensar coisas que saem da nossa rotina. Vamos falar sobre ele? Vem comigo e se joga!

Ray Kuzweil é um dos grandes nomes da Inteligência Artificial, considerado um grande visionário do mundo da tecnologia. A gente utiliza muito daquilo que ele pesquisou em assistentes virtuais baseados no processamento de linguagem natural, como a Apple SIRI e o Google Now. Atualmente, Kuzweil é diretor de engenharia no Google, empresa que tem forte interesse na área de Inteligência Artificial.

Neste livro, o autor apresenta seus estudos e teorias sobre o tema, além de recentes pesquisas na área da neurociência. Kuzweil se mostra defensor do conceito de singularidade, isto é, além de termos máquinas tão inteligentes quanto o cérebro humano, o autor defende que entre 2035 e 2040 teremos inteligências artificiais tão evoluídas, que serão capazes de se autoaperfeiçoar e ainda criar novas inteligências artificiais com capacidade de aprendizado.

O livro foi escrito em 2012 e não é muito extenso. Apresenta assuntos muito complexos em poucos parágrafos, o que é interessante para quem quer só quer dar uma passada de olhos e entender um pouquinho melhor. Mas não adianta, com conceitos tão profundos, é normal precisar ler várias vezes pra poder absorver as informações.

Para organizar as ideias, o autor divide a leitura em três pilares:

  • Biológico: como funciona nosso cérebro?
  • Tecnológico: como criar engenharia reversa baseada no cérebro humano?
  • Filosófico: o que diferencia um cérebro de uma mente consciente?

 

Pilar Biológico

Essa primeira parte do livro é dedicada a entender como funciona nosso cérebro, desde suas partes mais simples e antigas, que controlam o medo e o prazer, por exemplo, até a parte mais recente e complexa: o Neocórtex. Essa estrutura está relacionada ao raciocínio e à nossa tecnologia primordial, que é a linguagem, e por consequência à nossa segunda tecnologia: a escrita.

O aprofundamento dessa leitura vai acontecer baseando-se em dois conceitos importantíssimos para a Inteligência Artificial: hierarquia e reconhecimento de padrões. A partir desse entendimento de como o cérebro humano funciona, o autor passa a fazer uma ponte com a segunda parte do livro.

 

Pilar Tecnológico

Entrando no âmbito da tecnologia, Ray Kuzweil subdivide essa etapa nas três principais vertentes da Inteligência Artificial: aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural e robótica. Essa última vertente, inclusive, é um assunto bem legal pra gente refletir. Quando falamos de Inteligência Artificial, sempre pensamos em cinema e robôs, mas estudos mostram que estamos caminhando para uma realidade diferente. Atualmente, 90% da Inteligência Artificial está na nuvem, em forma de software e algoritmos.

O autor também vai se aprofundar sobre o conceito de redes neurais e deep learning, especialmente na área de processamento de linguagem natural, que é a área de pesquisa dele.

Outra coisa interessante é entender os modelos matemáticos para desenvolver as tecnologias. É curioso perceber, durante a leitura, como o ser humano precisa ser criativo e ver a matemática além dos números, usar a imaginação.

Ray Kuzweil ainda complementa a leitura com nomes importantes da área tecnológica e fala sobre o incrível “O jogo da imitação”, super dica de filme para quem quer entender melhor o assunto.

Gostei especialmente dessa parte do livro, e deixo também outra dica: se você assim como eu é muito curioso, utilize o apêndice e as notas do autor para buscar referências e pesquisar mais sobre os temas que quiser se aprofundar.

Nessa discussão de como um cérebro artificial poderia ser criado e como ele poderia aprender, Ray Kuzweil passa a se conectar com questões filosóficas da interação entre homem e máquina nos próximos anos.

Pilar filosófico

Nesta última parte de “Como Criar uma Mente”, o autor explica como pensamos de forma linear, enquanto a tecnologia se comporta de forma exponencial. Para exemplificar e se defender de prováveis críticas – afinal ele é uma figura polêmica – Kuzweil apresenta argumentos e dados da neurociência.

Questões ideológicas e filosóficas são muito complexas. Particularmente, fiquei incomodada de ver conceitos tão profundos dissecados em tão poucos parágrafos. Como, por exemplo, questões éticas que chegam a explodir a cabeça e dar vontade de pausar a leitura e cutucar a pessoa do lado pra conversar:

  • Quando estamos sedados para uma cirurgia, por exemplo, não estamos conscientes?
  • Se a gente não se lembra, aquilo não é consciência?
  • E o livre-arbítrio, somos realmente livres para escolher?
  • A partir do momento que tivermos máquinas tão inteligentes capazes de nos convencer de que têm capacidade de sentir emoções, como será a extensão dos direitos civis a essas máquinas?
  • E pra fechar: como construir inteligência a partir do ponto de vista da colaboração, não mais somente orgânica?

Fico imaginando como seria o momento em que meu cérebro não teria mais o crânio pra se limitar, o momento em que poderia ter nuvem, espaço infinito, para expandir a consciência. Esse é um pensamento angustiante, mas também interessante que convido vocês a terem junto comigo.

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