Um bate-papo vida real sobre o momento da minha carreira em que quase desisti do marketing e tomei a decisão que transformou minha vida e meus resultados. Vem comigo!
Ao longo de mais de duas décadas no marketing, entre agências, clientes e projetos intensos, é comum que me perguntem como me tornei consultora. A verdade? A consultoria não foi só uma escolha profissional. Foi um ponto de virada. Uma decisão emocional, racional e necessária para seguir fazendo o que amo sem perder a mim mesma no processo.
Essa história não é apenas sobre carreira. É sobre vida real, esgotamento, recomeço e construção de um novo caminho com base em propósito e clareza estratégica.
Quando o amor pelo marketing quase virou desilusão
Trabalhar com marketing sempre foi minha paixão. No início da carreira, estive em agências e do lado do cliente. Mas foi numa agência digital, ainda nos primórdios da era das redes sociais, que encontrei minha turma. Era uma equipe vibrante, apaixonada e criativa. Participamos de cases que viralizaram no Orkut e no Twitter. Tudo era novidade, e a sensação era de estar no lugar certo, com as pessoas certas.
Mas havia um problema: a rotina de agência. Pressão constante, incêndios diários, sobrecarga. A lógica era sempre “tudo para ontem”. Aos poucos, o que era paixão virou exaustão.
Comecei a chegar mais cedo, abrir a agência, deixar de almoçar. Troquei finais de semana por trabalho, usei cada minuto do meu dia para tentar dar conta. Mas as 24 horas não eram mais suficientes. Ainda assim, ver o cliente encantado com a estratégia fazia tudo parecer compensar… até que deixou de compensar.
A ruptura: quando não dá mais para continuar
Foram dois momentos marcantes.
No primeiro, recebi um feedback dizendo que, apesar de apresentar boas ideias, nada se tornava realidade. Que eu não tinha “palavra”. O peso disso me desmontou. Era injusto com alguém que estava entregando tudo que podia. Me vi questionando se ainda fazia sentido continuar.
No segundo, um cliente encantado com as reuniões me disse, com frustração, que tudo o que combinávamos morria na execução. “Você fala bem, mas nada acontece.” E isso foi o suficiente. Aquele dia foi o fim de um ciclo. Eu simplesmente não consegui voltar.
Sem plano, mas com um propósito claro
Na época, não tinha grana, estrutura, nem um plano de negócios sólido. Mas sabia escrever. Sabia planejar. Sabia pensar marketing com profundidade. E decidi: se fosse preciso, viveria vendendo blog posts. Comecei por aí, mas o objetivo era maior, construir algo que resolvesse a dor que eu mesma vivia nas agências e do lado do cliente.
Entendi que o mercado precisava de uma peça no meio do caminho: alguém que unisse estratégia à execução, que conectasse o cliente à agência com clareza, sem gerar ruído ou conflito. Era isso que eu queria fazer. E fui estudar.
Modelando um novo modelo de negócio
O livro Business Model Generation foi meu guia inicial. Comecei a desenhar uma consultoria que não existia como formato claro no mercado brasileiro na época. Uma proposta voltada à estratégia, que preenchesse a lacuna deixada pelas agências e pelos clientes, que muitas vezes não tinham tempo ou estrutura para planejar.
Mesmo com resistência inicial — “cliente não quer pagar por planejamento”, diziam — segui firme. Porque eu conhecia o mercado. Sabia que, na prática, o barato saía caro. E que havia espaço para um serviço consultivo que fizesse a diferença na entrega final.
Reconectando com o propósito através do empreendedorismo
Comecei vendendo projetos pontuais. Com o tempo, fui sendo reconhecida por algo que lá atrás parecia um problema: minha busca por fazer as coisas do jeito certo. O mercado passou a enxergar valor na clareza, no planejamento e na ponte que eu criava entre marcas e suas ações.
Assim nasceu minha empresa, meus serviços e também a formação de novos estrategistas, porque essa competência, além de valorizada, é fundamental para profissionais que querem crescer dentro do marketing de forma sustentável.
Vida real, erros reais, aprendizados reais
Claro, como empreendedora, cometi inúmeros erros. Sempre fui minha principal concorrente, cheia de lacunas emocionais como resiliência, autoconfiança, atitude. Mas fui me moldando. Aprendi na prática. E ainda aprendo todos os dias.
Essa trajetória não foi linear. Teve tropeços, dúvidas, recomeços. Mas também teve construção, afeto, clareza e, acima de tudo, verdade. Hoje, posso dizer que a consultoria não só salvou minha relação com o marketing, como me fez redescobrir o porquê de ter escolhido essa carreira lá atrás.
Por que essa história importa?
Porque talvez você esteja vivendo algo parecido. Talvez esteja exausto, se sentindo fora do lugar, perdido em uma rotina que não faz mais sentido. Talvez você também ame o que faz, mas esse amor esteja te fazendo mal. E talvez a saída esteja, como foi pra mim, em encontrar um novo jeito de continuar.
Seja consultoria, empreendedorismo ou outra rota, o importante é lembrar: você pode reconstruir sua história profissional sem abrir mão de quem você é. E, às vezes, tudo começa com um blog post.
