Já fui um bicho do mato de verdade. Extremamente tímida, introvertida, insegura, perfeccionista, com medo do que os outros iam pensar. Ruminava tudo que eu fazia e deixava de fazer. Só de pensar em sair de casa e me conectar com alguém, já dava três tipos de nervoso.
Então eu tenho lugar de fala aqui. Vou trazer tudo o que me ajudou de uma forma prática e aplicável, porque traquejo social não é talento. É habilidade. E como toda habilidade, se desenvolve.
Vem comigo!
Passo 1: Construa Repertório
Repertório é todo o seu conteúdo, é todo o recheio que vai garantir que você consiga transmitir algo de valor. Sem repertório, você não consegue se conectar com pessoas, não consegue gerar valor, não consegue deixar a sua marca pessoal.
Você constrói repertório lendo livros, assistindo séries e filmes, conversando com pessoas, viajando, mesmo que seja para perto.
Recentemente, eu estava conversando com um cliente que tinha ido para Paris. Ele falava sobre o que estava vendo e visitando, e eu tinha lido um livro sobre a cidade. Isso me ajudou muito mais a criar conexão do que se eu tivesse dito “eu também fui a Paris”. Mesmo sem ter viajado, consegui conversar sobre aquilo com profundidade.
Quando você tem repertório, você tem assunto, não fica de fora e consegue agregar de dentro para fora, com segurança. Isso ajuda o bicho do mato a se soltar. E como é uma ação contínua, você pode começar agora.
Passo 2: Cuide da Sua Ambiência
O seu ambiente molda você. Então a pergunta é: onde estão as pessoas interessantes? Onde os negócios acontecem?
Vale evento, feira, curso, clube do vinho, academia, grupo de corrida, manicure, salão, churrasco, grupo de amigos. O que importa é se forçar a expandir o território de atuação. Eu adoro usar o conhecimento para isso. Faço cursos para me conectar com pessoas que também estão aprendendo, porque sei que vou encontrar pessoas que pensam parecido comigo.
E aqui preciso falar de algo que escuto com muita frequência: “minha família não acredita no meu empreendedorismo, minha cunhada critica tudo que eu faço nos stories, isso me paralisa.”
A menos que você venda todo o seu estoque ou sua agenda seja repleta de familiares, sua família não é seu público-alvo. Por isso, não se deixe paralisar pela opinião de quem não é o seu cliente. Escute, mas não deixe isso mudar o rumo da sua estratégia.
Olhe para isso com olhar de possibilidade, não de limitação. Você tem ambiências diferentes. Não se sinta refém de onde você está.
Passo 3: Treine Quem Está ao Seu Redor
Aproveite os laços que você já tem. Transforme as pessoas próximas em embaixadores do seu trabalho.
Explique para o cônjuge, irmão, amigo próximo o que você faz, quem é o seu público, quais são os seus diferenciais e as vantagens de quem te contrata. Por quê? Porque quando essa pessoa encontrar um potencial cliente, vai saber te recomendar.
Quem me cerca sabe o que eu faço. Meu personal, por exemplo, entende muito bem o meu trabalho. Toda vez que ele vislumbra uma oportunidade, fala de mim. Isso não acontece por acaso, é intenção.
E use a lei da reciprocidade. Se você recomenda as pessoas que estão ao seu redor, naturalmente elas se sentem mais abertas a te recomendar também. Dando o que se recebe, funciona.
Se você já está mais desinibido, pode fazer a solicitação direta: “Se você souber de alguém que precise do que eu faço, estou com espaço na agenda.” Leve, fácil, sem pressão.
Passo 4: Não Se Leve Tão a Sério
Esse passo mudou tudo para mim.
Eu me levava muito a sério. Se eu errava alguma coisa, eu era aquele erro. Se acertava, eu era aquele acerto. Tinha medo de me desafiar, de fazer coisas novas, de inovar. E isso atrasou muito a minha carreira.
Foi meu pai que me ensinou o antídoto. Eu sofri bullying quando era criança, era a mais tímida e esquisita da sala. E ele disse: “Tem um jeito fácil. Caiu, seja a primeira a rir. Te deram um apelido que você não gostou? Seja a primeira a dizer que adorou. Faz piada, porque aí perde a graça.”
Uso até hoje. Caio, sou a primeira a rir de mim mesma. Se eu errei, brinco sobre isso. Se acertei, também não me levo tão a sério.
Eu gosto de pensar que a gente tem que ser o céu. O céu pode estar com ou sem nuvens, ele segue lá. As nuvens são os pensamentos e sentimentos. Quando a insegurança quer vir, eu digo para mim mesma: isso é só um pensamento. E assim como chegou, vai embora.
Isso ajuda a manter uma leveza que deixa a gente mais autêntico. E autenticidade é exatamente o que o bicho do mato ainda não domina, porque fica tentando controlar tudo.
Passo 5: Modele Quem Você Admira
Modelar é diferente de copiar. É imitar a ação que funciona com o seu toque pessoal.
Meu processo de transição de bicho do mato para alguém com traquejo passou pela modelagem de forma intensa. Faço isso até hoje e farei para sempre. Pode ser uma criança, um cliente, um autor, um professor, um amigo.
Quando você vê alguém e sente aquele “rancinho”, ao invés de se julgar por isso, acolhe e fala: “eu acho que descobri o que eu quero ser.” Aceita, olha a leveza aí.
Quer ser disciplinado como alguém que você admira? Observe o que essa pessoa faz. Como é a rotina dela? O que ela prioriza? E começa a replicar do seu jeito, com a sua adaptação.
Você encontra um escritor e quer saber como é a rotina dele? Pergunta. Chama nas redes sociais e fala: “Meu sonho é ser escritor. Me conta da sua rotina.” Pronto. Você usou o passo 1 e o passo 2 para chegar até aqui e já está modelando.
Resumo: os 5 Passos do Bicho do Mato ao Traquejo
Passo 1: Construa repertório. Leia, assista, viaje, converse. Sem conteúdo interno, não há conexão externa.
Passo 2: Cuide da ambiência. Expanda seu território de forma intencional. Não se deixe paralisar por quem não é seu público.
Passo 3: Treine quem está ao seu redor. Transforme pessoas próximas em embaixadores do seu trabalho.
Passo 4: Não se leve tão a sério. Caiu, seja a primeira a rir. Leveza gera autenticidade.
Passo 5: Modele quem você admira. Imite a ação que funciona com o seu toque pessoal.
Conclusão
Chega de bicho do mato. Traquejo social, personalidade magnética e autenticidade não são talentos com os quais as pessoas nascem. São habilidades que se desenvolvem com intenção, repertório e prática contínua.
Eu sei porque vivi. E se funcionou para mim, pode funcionar para você também.
FAQ: Perguntas Frequentes
É possível desenvolver traquejo social sendo introvertido? Sim. Introversão é uma característica de personalidade, não uma limitação permanente. Traquejo social é uma habilidade que se desenvolve com prática, repertório e exposição gradual a diferentes ambientes e situações.
Como construir repertório rapidamente? Lendo livros, assistindo séries e documentários, conversando com pessoas de áreas diferentes, participando de cursos e eventos. Você não precisa viajar para o mundo inteiro, basta estar sempre aprendendo e absorvendo novas perspectivas.
O que fazer quando a família não apoia o empreendedorismo? Lembre que sua família provavelmente não é seu público-alvo. Escute as opiniões, mas não deixe que elas mudem o rumo da sua estratégia. Invista nas ambiências onde seu trabalho é reconhecido e valorizado.
Como fazer as pessoas ao meu redor me recomendarem? Explique o que você faz, para quem e quais problemas resolve. E pratique a lei da reciprocidade: recomende primeiro. Quem se sente recomendado tende a retribuir de forma natural.
O que é modelagem e como aplicar? Modelagem é observar alguém que você admira, entender o que essa pessoa faz na prática e replicar essas ações do seu jeito, com a sua adaptação. Não é copiar, é se inspirar na atitude e traduzir para a sua realidade.
Como parar de ruminar erros e decisões passadas? Pratique não se levar tão a sério. O passado não pode ser mudado, mas a atitude no presente sim. Quando um pensamento negativo aparecer, lembre que ele é só um pensamento e que, assim como chegou, vai embora.
Autenticidade pode ser desenvolvida ou é algo com que se nasce? Autenticidade é consequência de leveza, e leveza se desenvolve. Quando você para de tentar controlar tudo e se permite errar sem se definir pelo erro, a autenticidade vem naturalmente.
