Hora de responder uma pergunta recorrente de quem me acompanha, com um bate-papo sem certo e errado, mas com alguns temas para pensarmos juntos: por que mostro tão pouco minha vida pessoal, especialmente minha filha, nas redes sociais?

Quem é mãe sabe que falar sobre os filhos é nosso assunto preferido, e comigo não é diferente. Apesar de amar falar sobre minha filha e de bater recordes de engajamento quando publico alguma foto com ela, esse não é um tema que faz parte da minha linha editorial por alguns motivos:

Gosto pessoal

Eu amo o que faço e estou sempre gravando vídeos para o meu trabalho, mas na minha vida pessoal sou reservada e totalmente desencanada de postar selfies, fotos de treino, comida e momentos de lazer. Quem assume esse papel é meu marido Martin, que registra com mais frequência nossos momentos em família.

O ponto negativo dessa preferência é a questão de marketing pessoal, afinal não se trata só do que você faz, mas como faz, então mostrar o dia a dia tem muito a ver com transmitir valores e a essência de quem você é. Por isso que, mesmo em pouca frequência, me esforço para mostrar minha família e momentos offline, sempre em doses homeopáticas e de forma coerente com meu jeito de ser.

Inteligência Artificial

O segundo ponto diz respeito especialmente à Inteligência Artificial, pensando na minha filha. Com todo o desenvolvimento de Big Data, reconhecimento facial e machine learning, a tendência é que quando ela for adulta e alguém buscar pelo nome, não apareça apenas o conteúdo que ela gerou. Os resultados de busca serão um compilado com todas as informações disponíveis, inclusive dos que eu gerei sobre ela quando criança.

Esses resultados precisos podem fazer com que o nome dela seja associado a alguma foto que não gostaria de mostrar, ou talvez um vídeo que nesse momento da vida é engraçado gravar, mas que no futuro ela lide de forma diferente. Então sempre que penso em publicar algo, me pergunto se é uma imagem que ela como indivíduo aprovaria, e por via das dúvidas, acabo optando pelo mínimo de exposição.

É claro que essa é uma opinião que talvez se ajuste, de repente surge um novo paradigma ou conforme ela for tomando consciência da tecnologia, me sinta mais à vontade para mostrar com mais  frequência, mas por enquanto é uma cautela que gosto de ter.

Estratégia orientada a resultados

Compartilhar a vida pessoal tende a gerar uma identificação maior com quem nos acompanha, mas tudo depende da sua estratégia. Meu objetivo com os perfis é a atuação profissional, então por mais que publicações pessoais gerem bastante engajamento, as métricas mostram que as pessoas que me acompanham querem informação, estão em busca de aprendizado. Nesse sentido, conteúdos pessoais costumam ser meio polarizados, tem quem ame e quem prefira deixar de seguir simplesmente por falta de interesse, então esse é outro motivo pelo qual costumo dosar publicações pessoais de forma coerente com as expectativas da minha audiência.

Por fim, mas muito importante, a opção por não mostrar ou dosar a exposição é uma questão de segurança. Esse é um tema que merece ser aprofundado em outro momento, mas sabemos o quanto é importante preservar imagens e informações que possam por em risco o bem-estar da nossa família.

Espero que tenha respondido a essa dúvida tão recorrente e que, sem certo e errado, possamos pensar juntos sobre todos esses pontos para compartilhar conteúdos de forma segura e coerente.

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